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Obrigado pelo feedback: duas grandes lições que aprendi

Blog | 3 | 29/04/2021

Enquanto estou sentado na minha mesa na empresa em que trabalho, recebo um aviso da minha agenda do Outlook. Respiro fundo, pego meu caderno e minha caneta, me levanto e caminho até uma das várias salas de reunião daquele andar.

Era uma sexta-feira de manhã, ainda em fevereiro de 2020, num cenário pré pandemia no Brasil - ainda não havia sido enviado para trabalhar de home office em tempo integral.

Entro na sala e aguardo meu gestor para a nossa conversa de feedback que estava agendada, para falarmos sobre a avaliação do meu ano de trabalho (referente à 2019, no caso).

Entre alguns pensamentos vagos e outros mais profundos, passam-se uns minutos até que meu gerente entre na sala.

É aqui que começa o que, por muito tempo, me lembrei como um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Sabe quando você entra em algum lugar muito cheio e as pessoas estão falando ao mesmo tempo, sem parar? Imaginar um bar ou alguma festa muito cheia já é uma boa imagem. É essa a lembrança que eu tenho dessa conversa de feedback: como se eu fosse bombardeado por muitas palavras ao mesmo tempo.

A conversa durou entre 5 e 10 minutos, algo assim, e quando vi, havia se encerrado.

Como tenho o hábito de anotar quase tudo, tentei anotar o que ouvia da melhor forma que pude.

As palavras foram mais ou menos essas:

“Você não parece estar alegre, feliz com o que faz. Eu não sei do que você gosta, não sinto nem que você gosta de estar aqui. Não sei dizer o que te empolga no trabalho.

Você não é uma pessoa que eu ‘vejo fazendo acontecer’, se esforçando.

Seu par acordou mais cedo e veio aqui para tentar finalizar um trabalho, e nem imagino você fazendo algo parecido, demonstrando esforço para alguma entrega. Você não faz diferença.

Não te vejo sendo uma referência para a equipe, para ninguém”.

Com mais algumas frase curtas, meu gestor me perguntou se eu queria dizer algo.

Como alguém que acaba de ser acordado com um susto, eu estava tentando compreender o que tinha acabado de acontecer.

Disse que não, que iria pensar sobre tudo aquilo. Ouvi em retorno um simples “ok” e ele saiu da sala.

Fiquei mais uns bons minutos sozinho, pensando na minha situação e em como eu havia chegado até ali.

De tudo que foi dito naquele dia, uma parte mexeu comigo profundamente, que foi ouvi-lo dizer que não sabia se eu estava feliz, se eu gostava do que fazia. Que não me sentia empolgado ou com prazer no meu trabalho.

E de fato, eu não estava feliz.

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A culpa (não) é do chefe

Se você pensou que eu ia falar mal de chefe ou usar essa história para tratar de feedbacks e falhas de gestão, pense de novo.

Essa história aconteceu de verdade há alguns anos. A partir daquele dia, eu tive certeza de duas coisas: um, eu deveria, mesmo, gostar do que eu faço e, dois, eu tinha que parar de encontrar culpados pelos percalços da minha vida e ser responsável por mudar isso.

Eu já sabia que não estava feliz com meu trabalho, carreira e atividades, mas não queria acreditar nisso. E eu estava encontrando culpados pelas coisas que não deram certo pra mim, ao invés de procurar uma maneira de sair daquela situação.

Em outras palavras: eu estava desmotivado e negava isso; eu culpava todo mundo, mas não fazia nada para mudar.

Assim, eu comecei alguns projetos e, este texto que você está lendo, é fruto de um deles. Mas antes, vamos ao que me trouxe até aqui hoje, até este texto prontinho pra ser lido por você.

Lição 1: Goste do que você faz

A lição número um que aprendi naquele dia foi que eu precisava fazer algo que eu gostasse. Mas isso parece um baita clichê. Quem ama o que faz, nunca trabalha, não é isso que diz uma famosa citação atribuída a Confúcio?

Bom, não vou romanizar o assunto. Amar aquilo que faz não é pra todo mundo, e não acredito que seja possível para todos. Afinal, trabalho é uma necessidade (para a maioria), é labuta, e no fim do dia, todos precisamos de casa, cama, comida. Temos contas pra pagar, fato. E é ingenuidade acreditar que toda a população mundial poderia ter o trabalho dos sonhos.

Mas isso não quer dizer que temos que ser infelizes para sempre em um emprego miserável, ou gastar toda a nossa vida trabalhando em algo que não traz satisfação alguma somente por dinheiro.

Se temos a oportunidade de procurar algo melhor, seja uma nova vaga na empresa em que estamos ou em outro lugar, seja estudar e se preparar para mudar de carreira, o fato é que, quando estamos felizes com o que fazemos, as chances de sucesso são maiores!

E sucesso aqui pode ser qualquer coisa - muito dinheiro na conta, status social, uma vida simples numa cabana na praia ou viver viajando o mundo.

Eu tenho contas pra pagar e muitas obrigações, mas eu tinha condições de procurar um caminho diferente, uma nova oportunidade de fazer algo que trouxesse mais prazer, mais motivação e senso de propósito pra mim. Inclusive, era o que mais eu sentia falta: senso de propósito. Eu queria fazer algo relevante não apenas pra mim.

E foi aí que eu parei de negar pra mim mesmo: ser feliz no que eu faço, ter tesão naquele trabalho, vai me aproximar do sucesso, e não o contrário.

Você não precisa esperar ter uma epifania, jogar tudo pro alto, largar seu emprego e sair viajando o mundo para ter uma experiência que marcou a sua vida e te levou pra um destino melhor; talvez, tudo que seja preciso é acreditar que você pode mudar seu futuro e, quem sabe, fazer isso com algo que te traga satisfação - ouso dizer, com algo que você ame!

Lição 2: Pare de achar culpados

A segunda lição que aprendi (e também a mais difícil de colocar em prática) foi notar que eu achava culpados pelos problemas, mas não assumia a responsabilidade para mudar. Eu nem acreditava que eu pudesse fazer algo capaz de mudar meu futuro. Não me sentia capaz.

Meus planos de carreira deram errado, droga. Minha motivação acabou e desanimei. Fim.

Foi isso que pensei por muito tempo, até perceber que, se eu não fizesse nada pra mudar essa situação, bem, ninguém faria por mim. Estava nas minhas mãos mudar a forma como eu encarava as adversidades.

No livro O jeito Harvard de ser feliz, é mencionada uma pesquisa que diz que pessoas que acreditam que têm algum tipo de controle sobre seu futuro, sobre os resultados de sua vida, têm resultados melhores na vida profissional, acadêmica e pessoal. Ou seja, pessoas que assumem a responsabilidade para fazer algo a respeito acabam tendo mais chance de se dar bem.

E eu havia perdido isso. Deixei de acreditar que era bom e capaz o suficiente para mudar as coisas.

A lição aprendida a duras penas foi: se eu não fizer por mim, ninguém vai fazer; e eu sei que, se fizer, vou chegar onde eu quero. Essa crença de que podemos agir para mudar é crucial.

Faça a diferença na sua vida

Essas duas lições têm sido, desde então, ideias que não saem mais da minha cabeça. Agir de forma a encontrar um novo caminho não é apenas buscar trabalhar com o que gosto, mas também, acreditar que sou capaz disso.

Essas duas ideias precisam estar claras se você, assim como eu, quer uma mudança de vida e procurar conquistar alguns sonhos.

No feedback que recebi, meu gestor não me via feliz no trabalho e não me via fazendo a diferença por lá. E quando há esta dúvida, pode ser que seja verdade.

Se essa conversa acontecesse hoje, talvez eu não ouvisse as mesmas coisas. E se ouvisse, com certeza eu saberia de cara quais meus próximos passos deveriam ser. Eu diria "obrigado pelo feedback".

E se isso acontecesse com você hoje, você está satisfeito com as coisas como estão na sua vida ou está apenas seguindo o curso?

Se te perguntassem hoje, você saberia dizer se está fazendo a diferença na sua própria vida?

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Texto: Vinícius Marchetti

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