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O que significa cringe e qual a moda que eu quero no passado

Blog | 3 | 4 | 22/06/2021

Esta semana, enquanto tomava café da manhã e chamava minha cachorra Paçoca de filha, compartilharam comigo uma postagem sobre o termo “cringe”.

Sim, eu fui procurar na internet o que significa "cringe" (e aproveitei pra também pagar uns boletos). Rsrs.

Afinal, o que significa “cringe”?

Bom, o termo tem sido usado para descrever hábitos e atitudes que causam vergonha alheia, algo que outra geração faz e que é considerada over, do passado, motivo de chacota. E o termo está colocando em lados opostos duas gerações, os Millennials e a Geração Z.

Neste caso, a rivalidade é entre os nascidos a partir de 1980 até 1995 (Millennials) e os nascidos entre 1995 e 2010, a Geração Z.

O termo cringe surgiu justamente por postagens e formas de se referir aos Millennials e seus hábitos, agora considerados ultrapassados. Dentre o que é motivo de vergonha é tomar café da manhã (ou gostar de café), curtir Harry Potter e Friends, usar calça skinny, falar boleto, beber litrão, usar emojis e “rir” usando “hahahaha” ou “rsrs”.

Cringe significa algo desconfortante, fora de moda, que causa vergonha alheia, ultrapassado. É isso que estão dizendo e que, sinceramente, todos acabam falando da geração anterior.

Aliás, as gerações estão sempre se bicando, competindo, cada uma tentando erguer mais a voz do que outra, com o objetivo de sobressair, de dizer que é melhor e que seus hábitos são mais legais. Todos querem ser mais cool. Todos querem que sua época seja a melhor.

Não acredita nisso? Se você parar pra pensar, deve se lembrar de algum momento em que seus pais, aquela sua tia ou mesmo a sua avó disseram que “na época deles, as coisas eram diferentes”. Eu me lembro de várias situações em que minha mãe falava que “a época dela que era boa, que as coisas eram assim, não assado”.

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Nunca fui muito de entrar nessas discussões e nem de percebê-las (alôôôô, sou Millennial, estive lendo Harry Potter e deixei passar essas trends); precisou alguém compartilhar comigo uma publicação para que ficasse por dentro desse papo todo de “cringe”, mas todo esse assunto despertou algo que estava dormente aqui dentro de mim. Explico.

Sempre que ouvia alguém falando sobre os anos dourados de sua juventude e como haviam sido anos melhores, me pegava pensando que eu também achava o mesmo - ainda acho que meus anos são melhores que os deles.

Toda geração pensa isso. Que sua época é melhor, que seus hábitos, conversas, modos e costumes são melhores e mais interessantes. Tanto é que, provavelmente, você não leva muito a sério quando seus pais falam da incrível juventude que tiveram.


E acho que um dos maiores motivos para eles acreditarem nisso, que sua geração foi melhor, é porque nós não gostamos que o tempo passe. Não gostamos de ver que, de repente, não somos mais tão cool e que uma revolução aconteceu.

Não gostamos de ver nossas músicas esquecidas e taxadas de velhas, de ver nossas roupas saindo de moda, de perceber que não estamos mais antenados e que há muita coisa nova vindo por aí. Nos incomoda quando tudo aquilo que tínhamos como certo é posto à prova e não passa no teste.

No fundo, parece não gostamos muito de mudanças, ainda mais nos tempos de hoje em que tudo muda tão rápido. Há uma certa resistência, principalmente quando falamos de costumes, de cultura e da forma como a sociedade vive e se comporta.


Quer uma prova? Cansei de ouvir pessoas de gerações anteriores à minha dizendo que, em seus tempos, não tinha essa pouca vergonha aí de homem saindo com homem, mulher beijando mulher. Que bullying não existia na sua época e que tudo apelidar o amigo gordinho ou “moreno”.

Não é que todos que vieram antes dos Millennials são preconceituosos, nada disso. Mas é uma ruptura, um novo pensamento, novas formas de percebermos que não, não sabemos tudo, não somos os melhores em tudo e, com certeza, não estamos certos a respeito de tudo.

Ainda temos muito o que aprender e evoluir como seres humanos. Temos um longo caminho a trilhar rumo à inclusão social, empatia, respeito e cuidado com as minorias. Vivemos ainda em um mundo cheio de raiva, preconceitos, racismo e exclusões e aversões de todos os tipos.

Ainda somos uma geração que luta para que mudanças mais profundas aconteçam. Ainda somos uma geração que, apesar dos vários termos e gírias usados para classificar e rotular as pessoas, continua em busca da própria identidade.


Se você, assim como eu, é um Millennial, você vivenciou mudanças na sociedade, como a luta por inclusão das minorias, a luta pelos direitos feministas e da população LGBTQIA+, dos negros, indígenas e tantas outras pessoas que, por serem diferentes do “socialmente correto” até então, eram deixadas de lado e viviam à margem da sociedade.

Você nem precisa ser Millennial; não importa a sua geração, você viveu e está presenciando uma época de profundas mudanças. Claro, ainda existe um longo caminho a ser percorrido e temos muito, mas muito mesmo a melhorar. Mas com certeza são tempos de mudanças.

Muito mais importante do que o que nos torna tão diferentes e nos separa como gerações, é o que nos une e nos torna mais fortes como pessoas.


Não importa se estou de calça skinny e tomando um café enquanto escrevo este texto, nem se você postou suas fotos sem hashtags ou emojis antes de lê-lo; o que importa é como nossas crenças e nossas lutas podem ser as mesmas, se unindo em busca de um futuro melhor. Um futuro que eu gostaria de ver, antes que as próximas gerações sequer se lembrem de mim a ponto de darem um novo rótulo para minha (velha) geração.

Na verdade, eu não quero rótulos nem mesmo dizer que minha época foi melhor. Eu quero viver para dizer como ela não foi.

Quero viver para testemunhar que, sim, a melhor geração estava por vir. A geração que entendeu que diversidade e pluralidade são melhores que discursos de ódio, opressão e usurpação de direitos.

Quero ser a geração a dizer “na minha época não tinha nada disso”, porque as lutas por igualdade não mais existirão como existem hoje; teremos alcançado outro patamar como humanos, teremos evoluído.



Espero mesmo é que um dia eu possa tomar meu café preto logo após assistir um episódio de Friends e pensar que, separar e rotular as pessoas tomando por base a cor da pele, sua orientação sexual, por ser mulher, asiático, índio, loira, macumbeiro ou espírita, seja algo do passado, que seja retrô, que seja cringe.

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Texto: Vinícius Marchetti

Comentários

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Boa Vini!! Muito bom o texto, ficou excelente!! 👏👏👏 (emote pra não ser cringe)

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Vinicius Bellini da Silva Ferreira Marchetti

Vinicius Bellini da Silva Ferreira Marchetti

Ah, muito obrigado! Fiquei feliz quando você disse que veio ler e gostou do texto!

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Jaqueline

Jaqueline

Adorei a reflexão :) ❤

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Andre

Andre

Sensacional!!!

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