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O exemplo dos Rolling Stones: como nem todo hábito de pessoas de sucesso traz bons resultados

Blog | 2 | 05/10/2021

Tem uma história que aconteceu comigo há uns bons anos, mas que sempre acaba voltando à minha memória quando me pego justificando algum acontecimento na minha vida (ou quando vejo alguém fazendo o mesmo).

Anos atrás eu fui baterista de uma banda de rock, e nós estávamos compondo, arrumando lugares para tocar e investindo bastante na ideia da banda, tentando fazer o negócio dar certo.

Em certo ponto dessa trajetória, alguns dos músicos começaram a beber muito antes dos shows, o que começou a afetar a nossa performance nas apresentações. Em outras palavras: estávamos errando muito nos shows. E eu não estava nada contente com isso.

Outro companheiro da banda e eu procuramos os demais integrantes para falarmos sobre o assunto, e o que rolou foi que eles achavam que não havia nada errado em tomar umas cervejas e ficar “alegre” na hora dos shows.

Afinal, um monte de banda famosa faz o mesmo - os Rolling Stones estão aí para provar que tomar uns drinks antes de subir no palco pode ser útil, te ajudar a relaxar e a fazer um show incrível!

A única diferença é que a comparação é injusta. A gente não era os Rolling Stones.

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Uma banda famosa, cheia de sucessos e com músicos extremamente talentosos e competentes, pode fazer basicamente o que quiser. Já uma banda dando seus passos iniciais, não.

Uma já conquistou muita coisa e com certeza se esforçou bastante para chegar onde chegou; a outra ainda está tentando encontrar seu espaço e provar seu valor.

Deu pra entender a diferença?

Acho muito doido como nós usamos exemplos de “cases de sucesso” mundo afora para justificar nossas atitudes, mesmo quando elas não estão surtindo o efeito desejado. Se alguém de sucesso faz determinada coisa, porque comigo isso seria um problema, não é?

Mas engraçado como nós temos facilidade para usar aqueles exemplos que nos convém, mas outros hábitos que poderiam nos ajudar nós escolhemos não adotar, porque dão mais trabalho.

Para ficar no exemplo dos Rolling Stones: porque ninguém da minha antiga banda sugeriu ensaiarmos mais e praticarmos nossos instrumentos mais horas por dia, a fim de nos aperfeiçoarmos cada vez mais, do mesmo jeito que Mick Jagger e companhia faziam?

Porque isso requer tempo, disciplina e dedicação. Já tomar umas cervejas antes dos shows não requer nada disso, é só diversão.

E eu me lembrei dessa história mais recentemente, quando um colega de trabalho recebeu um feedback não muito bom, começou a justificar algumas atitudes que havia tomado, dizendo que “fulano e beltrano” costumam fazer o mesmo e são elogiados por resultados alcançados com estas atitudes. Por que os resultados dele não foram satisfatórios?

O ponto é que “fulano e beltrano” são de cargos superiores, vivendo outro momento de carreira e com histórias e conquistas diferentes.

Neste caso, o feedback dado nem era a respeito de algo ruim - pelo contrário, as atitudes desse colega foram positivas e com as melhores intenções possíveis. Mas ele escolheu seguir alguns exemplos que eram mais fáceis para ele, que davam menos trabalho.

Mas o fato é que nem todos os exemplos, táticas e ideias são aplicáveis a todas as pessoas ou situações.

Assim como na história da banda, você pode resolver adotar vários hábitos e exemplos de alguém de sucesso, mas nem todos estes hábitos são aplicáveis à sua realidade.

E quando o resultado não sai como o esperado, reclamamos e nos frustramos.

Eu mesmo fiz isso várias vezes, racionalizava e me justificava, dizendo pra mim mesmo que era puro azar que as coisas não saiam como eu esperava, já que estava seguindo exemplos que haviam dado certo. Mas o fato é que eu também fiz o que era mais fácil e conveniente, não o que mais exigia de mim em dedicação.

Fica reflexão: será que ao escolhermos exemplos para seguir, estamos escolhendo aqueles que são mais convenientes e mais fáceis, ou realmente estamos seguindo uma estratégia vencedora (mesmo que ela seja a mais trabalhosa)?

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